Jovem de 22 anos estava desarmado quando foi atingido por um tiro à queima-roupa durante abordagem policial na zona sul da capital paulista.
O Ministério Público Federal (MPF) se manifestou favoravelmente à prisão preventiva do policial militar Guilherme Augusto Macedo, acusado de matar o estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, durante uma abordagem policial ocorrida em novembro de 2024, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
O parecer, assinado em 9 de outubro de 2026 pelo subprocurador-geral da República José Elaeres Marques Teixeira, foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O órgão considera que a gravidade da conduta e as circunstâncias do crime justificam a prisão do agente para garantir a ordem pública.
Estudante foi perseguido até hotel
De acordo com o Ministério Público Federal, a ocorrência começou após Marco Aurélio dar um tapa no retrovisor de uma viatura policial, sem provocar danos materiais ao veículo.
Na sequência, o estudante foi perseguido pelos policiais e tentou se abrigar no saguão do hotel onde estava hospedado. No local, foi alcançado por Guilherme Augusto Macedo e pelo também policial militar Bruno Carvalho do Prado.
Segundo o parecer, Marco Aurélio estava desarmado, sem camisa e não representava ameaça concreta à integridade física dos agentes.
As imagens registradas pelas câmeras corporais mostram parte da abordagem. Conforme a descrição apresentada pelo MPF, Bruno Carvalho do Prado desferiu um chute contra o estudante e perdeu o equilíbrio, caindo no chão. Em seguida, Guilherme Augusto Macedo efetuou um disparo à queima-roupa contra o abdômen do jovem.
Marco Aurélio foi socorrido e encaminhado ao Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos.
MPF considera medidas cautelares insuficientes
Na manifestação encaminhada ao STJ, o Ministério Público Federal argumenta que a reação policial foi desproporcional diante das circunstâncias da ocorrência.
Para o órgão, o uso de uma arma de fogo contra uma pessoa desarmada, aliado à dinâmica da abordagem, demonstra a gravidade do episódio e justifica a adoção de uma medida mais rigorosa.
O MPF também sustenta que o fato de Guilherme Augusto Macedo ser réu primário, possuir residência fixa e estar temporariamente afastado do patrulhamento ostensivo não elimina os fundamentos para a prisão preventiva.
Policiais serão julgados por júri popular
Em setembro deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou os recursos apresentados pelas defesas dos dois policiais envolvidos na ocorrência.
Com a decisão, foi mantida a determinação de que Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado sejam submetidos ao Tribunal do Júri, acusados de homicídio duplamente qualificado.
A defesa de Macedo havia solicitado sua absolvição sumária, alegando legítima defesa. Já a defesa de Prado contestou sua participação no crime. Os argumentos não foram acolhidos pelo tribunal.
STJ deverá decidir sobre prisão
O pedido de prisão preventiva será analisado pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça, sob relatoria do ministro Reynaldo Soares da Fonseca.
Até a última atualização das informações consultadas, não havia confirmação de uma decisão definitiva sobre o pedido.
O caso também ganhou repercussão após o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) conceder, em 8 de outubro, uma carteira profissional póstuma ao estudante, em homenagem à sua trajetória acadêmica. O documento simbólico foi entregue aos pais de Marco Aurélio.
Os dois policiais permanecem réus no processo, e a responsabilidade criminal de cada um deverá ser definida pela Justiça.



