O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, negou ter cometido irregularidades nas operações financeiras envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB) e pediu um voto de confiança à Polícia Federal (PF). As declarações foram feitas durante depoimento prestado no dia 15 de outubro, cujo conteúdo foi divulgado nesta quinta-feira (29).
Vorcaro foi ouvido pela delegada Janaína Palazzo, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes bancárias relacionadas à negociação de carteiras de crédito entre o Banco Master e o BRB.
Durante a oitiva, que durou aproximadamente duas horas, o empresário defendeu o arquivamento da investigação, alegando ausência de provas e de prejuízo financeiro nas operações.
Vorcaro afirma que agiu de boa-fé
No depoimento, o ex-banqueiro sustentou que sua participação nas negociações teve como objetivo solucionar problemas relacionados à substituição de ativos da empresa Tirreno.
Segundo a Polícia Federal, a Tirreno teria sido utilizada como empresa de fachada para transferir carteiras de crédito fictícias ao BRB.
Vorcaro, entretanto, negou qualquer intenção de cometer irregularidades e argumentou que as operações precisam passar por uma perícia independente para esclarecer se houve efetivamente prejuízo financeiro.
O empresário também questionou sua permanência na prisão e afirmou que as investigações tiveram consequências para sua família.
Ao final do depoimento, pediu um voto de confiança à delegada responsável pelo caso, defendendo que pudesse aguardar em liberdade o andamento das apurações.
Polícia Federal indicia Vorcaro e outras 14 pessoas
Apesar das declarações do empresário, a Polícia Federal concluiu, na quarta-feira (28), o indiciamento de Daniel Vorcaro e de outros 14 investigados na primeira fase da Operação Compliance Zero.
Os envolvidos são investigados por crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
De acordo com o relatório policial, Vorcaro teria exercido participação direta e reiterada nas operações consideradas irregulares.
Os investigadores sustentam que o ex-controlador do Banco Master ocupava uma posição central nas decisões financeiras da instituição e teria sido um dos principais beneficiários econômicos das transações investigadas.
PF aponta prejuízo de R$ 2,7 bilhões
Um dos principais pontos da investigação envolve a comercialização de carteiras de crédito que, segundo a Polícia Federal, não possuíam lastro financeiro.
Os investigadores identificaram aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas nas operações envolvendo o Banco Master e o BRB.
Parte desse montante estaria relacionada a créditos inexistentes registrados em nome da Tirreno.
A Polícia Federal considera que as transações faziam parte de um mecanismo destinado a obter liquidez para o Banco Master por meio da negociação de ativos irregulares.
A defesa de Vorcaro contesta essa conclusão e afirma que as carteiras foram substituídas por outros ativos, sustentando que as operações não provocaram prejuízo ao banco público.
Defesa questiona provas e pede liberdade
Os advogados de Daniel Vorcaro também contestaram a condução das investigações e afirmaram que a Polícia Federal não apresentou elementos suficientes para comprovar as acusações.
Nesta quinta-feira (29), a defesa encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um laudo pericial particular sobre o celular do empresário, apreendido em novembro de 2025.
Segundo os advogados, a análise identificou 657 arquivos modificados e outros 436 criados após a apreensão do aparelho.
A defesa argumenta que os resultados levantam dúvidas sobre a integridade dos dados utilizados na investigação e solicitou acesso aos arquivos originais para novas verificações.
As conclusões apresentadas pelos advogados ainda dependem de avaliação pelas autoridades competentes.
Ex-banqueiro permanece preso no Distrito Federal
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2026, no Complexo Penitenciário da Papudinha, no Distrito Federal.
Durante o depoimento, solicitou a revogação da prisão e defendeu a possibilidade de acompanhar o andamento das investigações em liberdade.
A defesa sustenta que não existem fundamentos para a manutenção da medida, enquanto a investigação policial aponta a participação do empresário nas operações financeiras consideradas fraudulentas.
O indiciamento realizado pela Polícia Federal não representa uma condenação. Caberá às autoridades competentes avaliar os elementos reunidos e os próximos encaminhamentos do caso.
Fonte: Agência Brasil, com informações da Polícia Federal e da defesa de Daniel Vorcaro.



