Sábado, Março 7, 2026
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Não é o por que, e sim para quê!

Por Jéssica Sillva | Instagram: @eujessicasillva

Não me lembro de nenhum momento em que questionei o diagnóstico da minha filha. Não questionei a Deus, o universo. Por que minha filha? Por que eu? O diagnóstico dela não pode ser uma condenação, um “carma” de outra vida. Na minha humilde insignificância, creio que recebi uma missão. A missão de criar um ser humano e enfrentar as dificuldades que vieram. Não quero romantizar as dificuldades que enfrento diante da condição da minha filha.

Em uma fala infeliz, a Marcia Sensitiva, da religião espírita, declarou que uma criança é autista porquê é o carma da mãe. Este termo, segundo o dicionário, são dívidas de vidas passadas. Esta é uma visão de uma pessoa, que simplifica o Autismo como uma condenação a uma criança, que deverá pagar pelos pecados cometidos pela sua mãe, em outras vidas. Não sou espírita, não sigo a religião. Sou católica, e creio num Deus que é o amor em sua mais pura ação. Vejo Deus agindo no amor de cada mãe que acalma, luta e cuida do seu filho autista. Uma pessoa que determina um diagnóstico relacionando ele ao pecado de terceiros, deveria escutar mais e falar menos.

Antes que eu pudesse colocar nestas linhas o que vivo, e acredito, ousei em falar com estudiosos e representantes de algumas instituições religiosas. Me atrevi em questionar o Padre Frizzo, que é professor em diversas universidades pelo mundo, doutor e tem um pós-doutorado em Israel. O Padre, que em sua vasta sabedoria foi taxativo em sua primeira frase; “Veja o inicio do Evangelho de João, capítulo 9”. E a partir daquele momento, parece até que um clarão se abriu diante de mim. Veja você mesmo e me diga se não é tão claro pra você, o quanto foi para mim; “1Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. 2Os seus discípulos indagaram dele: “Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?”. 3Jesus respondeu: “Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus”(João. 9.1-3).

Quando mencionei logo acima sobre o carma ser uma visão de, uma pessoa sensitiva e que prega o espiritismo, fiz questão de ouvir um estudioso Espírita. “Se Deus colocou essa criança nas suas mãos, é porquê Deus viu que você era uma pessoa iluminada. Que tem condições de cuidar e ajudá-la. A crescer e evoluir como pessoas e como espírito”, concordo em número, gênero e grau com o Dr. Alexandre Cadeu. É acolhedor que religiões em que ousei questionar, demonstrem o mesmo pensamento. Ouvi do Pastor Adalberto, da Assembleia de Deus, que é muito mais fácil transferir essa responsabilidade de culpa para um “Deus castigador”, e que o filho não levará culpa do pecado do pai, como o pai não levará culpa do pecado do filho, citando o livro de Ezequiel, 18:20.

É claro pra mim que um diagnóstico aqui se fez para quê e não por que. Eu entendi que posso fazer algo maior em prol dos que não entendem e não são ouvidos. Deus permite em nas nossas vidas o mistério da cruz, amar no sofrimento, a doar-se, a “SER” para o outro. Nem sempre encontraremos a resposta na crença que seguimos e acreditamos, mas sempre encontramos o conforto. Mas em verdade eu vos digo, mesmo nas tribulações, diante do diagnóstico da minha filha, Deus se faz presente. Manifeste o amor de Deus mesmo no diagnóstico, no acolher o próximo que vive esta realidade e só precisa de um amparo. Não seja um condenador, seja como aquele que veio ao mundo e acolheu quem acreditou sem ver.

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