Trump cita PCC e CV e diz que Brasil não conseguiu enfrentar facções

Presidente dos Estados Unidos afirma que grupos criminosos brasileiros representam ameaça crescente à segurança internacional; governo brasileiro rebate críticas de Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a atuação do Brasil no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Em documento enviado ao Congresso norte-americano, Trump afirmou que o governo brasileiro não conseguiu enfrentar adequadamente as duas facções e defendeu a adoção de medidas mais firmes contra o crime organizado.

O posicionamento consta no relatório anual do governo dos Estados Unidos sobre países envolvidos na produção ou no trânsito internacional de drogas. No documento, datado de 15 de setembro, a Casa Branca avalia as ações adotadas por diferentes governos no enfrentamento ao narcotráfico.

Segundo o governo Trump, o PCC e o Comando Vermelho teriam contribuído para transformar o Brasil em um importante centro para o fluxo internacional de cocaína. A administração norte-americana também classificou as duas organizações como uma ameaça crescente à paz e à segurança internacional.

“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo”, afirma o documento, que cobra do governo brasileiro medidas urgentes para conter a expansão das facções.

PCC e CV foram classificados como organizações terroristas pelos EUA

A pressão de Washington sobre as duas principais facções brasileiras aumentou nos últimos meses. Em maio, o governo norte-americano anunciou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A medida passou a permitir o uso de instrumentos mais rígidos, incluindo sanções contra pessoas e entidades associadas aos grupos.

Na avaliação dos Estados Unidos, as atividades das organizações ultrapassaram as fronteiras brasileiras e estão relacionadas ao tráfico internacional de drogas e outras atividades criminosas.

O Brasil, entretanto, tem contestado o enquadramento das facções como organizações terroristas. O governo brasileiro defende que PCC e CV sejam tratados como organizações criminosas e que o enfrentamento ocorra por meio das instituições nacionais e da cooperação internacional, preservando a soberania do país.

Governo brasileiro rebate Trump

Após a divulgação das declarações, o Ministério da Justiça e Segurança Pública rejeitou a avaliação feita pelo governo norte-americano e afirmou que o Brasil vem adotando medidas de combate ao crime organizado.

A pasta destacou ações de repressão às facções, integração entre forças de segurança e iniciativas para atingir a estrutura financeira das organizações criminosas. O governo brasileiro também argumentou que o próprio documento norte-americano não colocou o Brasil entre os 23 países classificados como grandes produtores ou importantes rotas de trânsito de drogas.

Esse ponto é importante porque, apesar da dura crítica feita diretamente por Trump, o Brasil também não foi incluído entre os países que, segundo os Estados Unidos, “falharam de forma demonstrável” no cumprimento de suas obrigações internacionais de combate às drogas. Portanto, a manifestação contra o governo brasileiro não representa, até o momento, essa classificação formal mais grave.

O episódio acrescenta mais um ponto de tensão às relações entre Brasília e Washington e coloca o combate ao PCC e ao Comando Vermelho novamente no centro das discussões sobre segurança pública, narcotráfico internacional e cooperação entre Brasil e Estados Unidos.

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