Mostra reúne mais de 100 fotografias sobre a trajetória do sacerdote e o trabalho da Pastoral do Povo da Rua; entrada é gratuita
A trajetória do padre Júlio Lancellotti e sua atuação em defesa das pessoas em situação de rua são tema de uma exposição em São Paulo. A mostra “A Alfabetização do Olhar – um ato de amor e responsabilidade” está em cartaz na Lacerdine Galeria de Arte, em Higienópolis, e propõe uma reflexão sobre dignidade, desigualdade, exclusão social e direitos humanos.
Com entrada gratuita, a exposição reúne mais de 100 fotografias, além de textos, vídeos e instalações que retratam o cotidiano das ruas e o trabalho desenvolvido pelo sacerdote e pela Pastoral do Povo da Rua na capital paulista.
Sob curadoria do artista plástico Geraldo Lacerdine, a mostra apresenta registros dos fotógrafos Daniel Camargo Kfouri, Fernando Jensen, Tr3ze e Victor Angelo Caldini. As imagens mostram não apenas situações de vulnerabilidade, mas também momentos de convivência, acolhimento e construção de vínculos entre padre Júlio e pessoas que vivem nas ruas.
Um convite para enxergar quem costuma ser invisível
O próprio título da exposição resume uma de suas principais propostas: provocar uma mudança na maneira como a sociedade observa as pessoas em situação de rua.
A chamada “alfabetização do olhar” busca fazer com que o visitante vá além de uma percepção superficial e reconheça histórias, sentimentos, relações e direitos de pessoas que muitas vezes se tornam invisíveis no cotidiano das grandes cidades.
As fotografias são acompanhadas por reflexões de padre Júlio e procuram estimular discussões sobre preconceito, desigualdade e responsabilidade coletiva.
Para o sacerdote, a exposição não deve ser vista apenas como uma homenagem à sua trajetória. Padre Júlio ressaltou que o foco principal está nas pessoas que encontra diariamente nas calçadas e sob os viadutos e que frequentemente são ignoradas pela sociedade.
Prêmios recebidos pelo sacerdote também estão expostos
Além das fotografias, o público pode conhecer parte dos reconhecimentos recebidos por padre Júlio Lancellotti ao longo de sua atuação. Cerca de 50 prêmios e homenagens estão expostos no mezanino da galeria.
Entre eles estão o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, recebido em 2003, e o Prêmio Notáveis, da CNN Brasil, concedido em 2022.
Padre Júlio tornou-se uma das principais vozes brasileiras na defesa dos direitos das pessoas em situação de rua. Sua atuação também ganhou destaque no debate contra a chamada arquitetura hostil, nome dado a estruturas instaladas em espaços urbanos com o objetivo de dificultar ou impedir a permanência de determinados grupos, especialmente pessoas sem moradia.
Programação terá rodas de conversa
A proposta da exposição vai além das obras apresentadas na galeria. Até novembro, o espaço receberá uma série de rodas de conversa com padre Júlio e convidados para aprofundar questões relacionadas à exclusão social, direitos humanos e religiosidade.
Nesta quinta-feira, 24 de setembro, está prevista a roda de conversa “A alfabetização do olhar”. Em 8 de outubro, o debate terá como tema “Por que o mundo gerou tantos excluídos?”.
No dia 22 de outubro, a discussão será sobre “Religiosidade das ruas – um ato de coragem, resiliência e respeito”. Já em 5 de novembro, o encontro abordará a pergunta “Por que o ser humano exclui?”.
A programação termina em 18 de novembro, com um sarau de música e poesia.
Exposição segue até novembro
“A Alfabetização do Olhar – um ato de amor e responsabilidade” pode ser visitada até 18 de novembro, de segunda-feira a sábado, das 10h às 18h, na Lacerdine Galeria de Arte, localizada na Avenida Angélica, 2578, em Higienópolis, na capital paulista.
A entrada é gratuita.
Serviço
Exposição: “A Alfabetização do Olhar – um ato de amor e responsabilidade”
Período: até 18 de novembro de 2026
Local: Lacerdine Galeria de Arte
Endereço: Avenida Angélica, 2578 – Higienópolis – São Paulo
Horário: de segunda a sábado, das 10h às 18h
Entrada: gratuita



