Ato de Flávio Bolsonaro reúne milhares de pessoas na Avenida Paulista a uma semana do segundo turno

A Avenida Paulista, em São Paulo, recebeu neste domingo (18) uma manifestação de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O ato, denominado “Bloquinho do 22”, reuniu aproximadamente 71,9 mil pessoas, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, em parceria com a organização More in Common.

A mobilização ocorreu exatamente uma semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas.

A concentração começou pela manhã, com trios elétricos, músicas de campanha, bandeiras do Brasil e discursos de lideranças políticas. O evento foi convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e contou com a presença de representantes de partidos aliados ao candidato.

Manifestação reuniu lideranças da direita

Entre os participantes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o deputado federal Nikolas Ferreira.

Flávio Bolsonaro chegou ao local por volta das 11h15 e discursou sobre um dos carros de som instalados na avenida.

Durante a manifestação, apoiadores entoaram palavras de ordem contra o Partido dos Trabalhadores (PT) e criticaram os institutos de pesquisas eleitorais, questionando os levantamentos divulgados durante a campanha.

O ato teve clima festivo, com músicas de funk, axé e jingles eleitorais. Entretanto, participantes também relataram dificuldades para acompanhar os discursos devido a problemas no sistema de som.

Público chegou a quase 72 mil pessoas

De acordo com o levantamento realizado pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e pela More in Common, o maior público foi registrado às 12h20.

Estimativa de público no momento de pico

71,9 mil pessoas

Intervalo estimado: 63,3 mil a 80,5 mil participantes, considerando margem de erro de 12%.

A contagem utilizou fotografias aéreas analisadas com auxílio de inteligência artificial. Os pesquisadores registraram a concentração em diferentes horários para estimar o número de participantes.

A manifestação ocorreu uma semana depois de um ato de apoio ao presidente Lula realizado no mesmo local, em 11 de outubro. Não há, porém, uma contagem independente equivalente que permita comparar com precisão o público dos dois eventos.

Flávio Bolsonaro fala sobre o pai e possíveis indicações ao STF

Durante seu discurso, Flávio Bolsonaro voltou a mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

O candidato afirmou que espera contar com a presença do pai em uma eventual cerimônia de posse presidencial e declarou que Jair Bolsonaro poderia entregar-lhe a faixa presidencial, caso seja eleito.

A fala ocorreu em meio às discussões sobre uma possível anistia ao ex-presidente.

Flávio também afirmou que, se eleito, pretende indicar quatro ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) alinhados a posições contrárias ao aborto e à liberação das drogas.

As declarações foram recebidas com manifestações de apoio do público presente.

Réplica de míssil com mensagem a Trump gera repercussão

Um dos episódios que chamaram atenção durante a manifestação foi a presença de um grupo de participantes carregando uma réplica inflável de míssil com a inscrição em inglês “Trump nuke Brazil”, uma mensagem que pede ao presidente norte-americano Donald Trump um ataque nuclear contra o Brasil.

Imagens do objeto circularam pelas redes sociais e provocaram críticas de parlamentares e integrantes do governo federal.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e as deputadas Erika Hilton e Sâmia Bomfim, também do PSOL, condenaram a mensagem e a classificaram como uma afronta à soberania nacional.

Até a publicação das reportagens consultadas, a campanha de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre o episódio.

Não há informações de que o objeto tenha sido produzido ou autorizado oficialmente pela organização da campanha.

Candidato prometeu confronto com Lula no debate da Band

Ao encerrar sua participação, por volta das 13h05, Flávio Bolsonaro afirmou que preservaria a voz para o debate presidencial programado para as 20h, na Band.

O candidato prometeu fazer críticas ao governo Lula e apresentar questionamentos sobre a atuação do presidente durante o encontro televisivo.

O debate marcou o primeiro confronto direto entre os dois candidatos durante a campanha presidencial de 2026.

A manifestação na Paulista fez parte da estratégia de mobilização eleitoral da campanha do PL, que também promoveu eventos em outras cidades brasileiras durante o fim de semana.

Reta final da campanha intensifica mobilizações

A uma semana do segundo turno, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro intensificaram as atividades públicas em diferentes regiões do país.

Enquanto apoiadores do candidato do PL se reuniram na Avenida Paulista, manifestações organizadas por movimentos sociais e artistas também ocorreram neste domingo em apoio à reeleição do presidente Lula, incluindo um evento musical em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Os atos demonstram a mobilização dos dois grupos políticos na reta final da disputa presidencial.

Com a votação marcada para o próximo domingo (25), os candidatos seguem concentrados em agendas públicas, entrevistas e debates para apresentar suas propostas aos eleitores.

A manifestação na Avenida Paulista terminou com discursos de apoio a Flávio Bolsonaro e críticas ao governo federal, consolidando mais um evento de campanha na última semana antes da decisão nas urnas.

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