Último confronto presidencial antes do segundo turno foi realizado nesta sexta-feira (23), na TV Globo, e abordou temas como segurança pública, programas sociais, infraestrutura e custo de vida.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram, na noite desta sexta-feira (23), do último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026. O encontro, promovido pela TV Globo e mediado pelo jornalista César Tralli, foi marcado pela apresentação de propostas, críticas às gestões anteriores e troca de acusações entre os candidatos.
O debate começou com discussões sobre infraestrutura, economia e políticas públicas, mas ganhou um tom mais acirrado no último bloco, quando os presidenciáveis passaram a abordar denúncias de corrupção e investigações envolvendo pessoas ligadas aos dois campos políticos.
Economia e custo de vida dominam parte do confronto
Um dos principais assuntos foi a situação econômica do país, especialmente o preço dos alimentos, o endividamento das famílias e a valorização do salário mínimo.
Flávio Bolsonaro criticou o aumento do custo de vida e afirmou que a população enfrenta dificuldades para manter o orçamento doméstico. O senador também apresentou uma proposta para renegociação de dívidas de pessoas físicas e empresas, com ampliação dos prazos de pagamento.
Lula defendeu as medidas econômicas de seu governo, citando os programas de renegociação de dívidas e a política de reajuste do salário mínimo acima da inflação. O presidente também questionou como o adversário pretende reduzir os gastos públicos sem comprometer programas sociais.
Flávio afirmou que pretende manter os benefícios sociais e promover cortes de despesas em outras áreas da administração federal.
Programas sociais e direitos trabalhistas entram na discussão
Durante o debate, os candidatos também discutiram o Bolsa Família, o Sistema Único de Saúde (SUS), a licença-maternidade e os direitos dos trabalhadores.
Lula questionou Flávio sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade de servidoras públicas do Rio de Janeiro, quando era deputado estadual. O senador reconheceu que se arrependeu da decisão e justificou que, na época, acreditava que a medida poderia prejudicar a contratação de mulheres.
Os dois candidatos defenderam a continuidade do Bolsa Família e destacaram a importância do SUS.
Outro assunto abordado foi a proposta de tarifa zero no transporte público para trabalhadores. Lula defendeu a iniciativa, enquanto Flávio também se manifestou favoravelmente à ideia.
Infraestrutura e desenvolvimento regional geram divergências
Na discussão sobre investimentos públicos, Flávio Bolsonaro criticou a existência de obras paralisadas no país e prometeu ampliar projetos de infraestrutura, concessões e ferrovias.
Entre suas propostas, o senador mencionou a isenção de pedágio para motociclistas em novas rodovias.
Lula destacou investimentos realizados durante sua administração, citando obras como a Ferrovia Transnordestina, a transposição do Rio São Francisco e o túnel Santos-Guarujá.
Os candidatos também divergiram sobre questões ambientais, saneamento básico e desenvolvimento da região amazônica. Flávio defendeu maior autonomia para populações indígenas em decisões relacionadas aos seus territórios, enquanto Lula ressaltou políticas de desenvolvimento e preservação ambiental.
Ofensas pessoais provocam pedido de desculpas
Um dos momentos de maior tensão ocorreu após Flávio Bolsonaro se referir a Lula como “nove dedos”, em alusão ao acidente de trabalho sofrido pelo presidente na juventude.
Lula reagiu à declaração e cobrou respeito do adversário. Posteriormente, Flávio pediu desculpas caso tivesse ofendido o presidente, mas aproveitou a oportunidade para criticar novamente a situação econômica e a segurança pública do país.
O episódio evidenciou o aumento da tensão entre os candidatos, que mantiveram uma postura de confronto em diferentes momentos da transmissão.
Corrupção e investigações marcam último bloco
Na etapa final, destinada a perguntas de tema livre, o debate passou a concentrar acusações relacionadas a investigações e suspeitas de irregularidades.
Os candidatos mencionaram o caso do Banco Master, envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, além de investigações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.
Também foram discutidas relações políticas e empresariais de pessoas próximas aos candidatos.
As acusações foram apresentadas pelos próprios presidenciáveis durante o confronto e não representam, por si só, comprovação de irregularidades ou responsabilidade criminal.
O último bloco foi considerado um dos momentos mais tensos da noite, com interrupções e críticas pessoais de ambos os lados.
Segurança pública e apostas esportivas também foram debatidas
A segurança pública esteve entre os assuntos abordados pelos candidatos, que apresentaram críticas e posicionamentos distintos sobre o enfrentamento da criminalidade.
Outro tema foi a proibição das apostas esportivas online, conhecidas como bets.
Lula defendeu sua decisão de vetar a atividade no Brasil, enquanto Flávio questionou o momento da medida e argumentou que a proibição prejudicaria clubes de futebol patrocinados por empresas do setor.
Segundo turno acontece neste domingo
O encontro desta sexta-feira foi a última oportunidade de confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro antes da votação do segundo turno, marcada para domingo, 25 de outubro.
Ao longo do debate, os dois candidatos buscaram apresentar suas propostas e defender seus respectivos projetos de governo, ao mesmo tempo em que questionaram o histórico político e administrativo do adversário.
A eleição definirá quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos.



