Os culpados são os prefeitos eleitos desde 1926. Eles, seus secretários municipais e os vereadores desse período deixaram a cidade crescer sem o mínimo planejamento urbanístico; deixaram o problema para o futuro. Pois bem, o futuro chegou! E agora, José?
Em busca de um espaço no Legislativo, muitos cidadãos apoiaram invasões em áreas de preservação ambiental, em beiras de córregos, em encostas de morros, em fundos de vales. Eles diziam que era direito à moradia, mas sempre eram os piores locais. E eles sabiam que aquilo daria problema, mas no futuro.
Além das ocupações apoiadas por lideranças políticas locais, houve muitos loteamentos clandestinos que jamais seguiram as leis de ocupação do solo, e as autoridades nunca tiveram competência ou vontade suficiente para estancar essa destruição de nossa cidade; algumas imobiliárias ficaram ricas e muito conhecidas.
Sem esquecer as liberações feitas pela prefeitura de grandes torres de apartamentos que hoje travam o trânsito e impermeabilizaram ainda mais o município. Mas quem se importou? E hoje, quem se importa? É mais fácil culpar o prefeito do momento do que pensar em soluções definitivas. Há tempos, a cola quente e a fita crepe são usadas para consertar os mais diversos problemas urbanos.
Os alagamentos que acontecem hoje na cidade são consequência de erros, omissões e muitos crimes ambientais cometidos ao longo dos últimos 100 anos. Então, é impossível corrigir tudo isso de uma hora para outra ou em um único mandato. Mas é preciso começar, em algum momento, a entender que a cidade deve ter limites para tudo, inclusive de moradores, de prédios e de áreas cobertas por concreto.
Vejam! A dona Maria, que possui a casa construída literalmente em cima do rio e que perdeu seus móveis várias vezes nos últimos anos, vai perdê-los novamente nos anos vindouros. E ainda temos os poderosos que têm suas lojas e seus meganegócios em terrenos que deveriam ser dos córregos, mas cujas paredes afunilam o caminho das águas. Ninguém fala deles?
A responsabilidade do atual prefeito é ter um plano para cessar o roubo das margens dos córregos, desapropriar as terras já roubadas e devolvê-las aos seus donos: os rios. Também tornar a cidade mais capacitada para absorver maior quantidade de água das chuvas é outra saída, senhor prefeito.
As chuvas são bênçãos, não problemas. Em 2027, em 2028, estaremos aqui lamentando as mortes de pessoas arrastadas pela enxurrada, as perdas de móveis, a queda de casas, os desmoronamentos de encostas.
Nesta época de grandes chuvas, usam as tragédias como pedras para atingir os adversários e desviar a atenção do que já deveriam ter feito quando podiam. Nunca esqueçam! A natureza é mais poderosa do que nós, pobres munícipes. E, todo início de ano, as águas vêm nos mostrar que aquele espaço é dela; e nós, ali, somos os intrusos.



