ENIAC lança parque tecnológico com laboratório de robôs humanoides chineses

ENIAC Parque reúne estruturas de robótica, inteligência artificial, inovação e desenvolvimento de startups; parceria internacional pretende capacitar profissionais e preparar empresas da região para os avanços da automação

 

O Centro Universitário ENIAC lançou na última quinta-feira, 29/10, o ENIAC Parque, um parque tecnológico voltado à inovação, ao desenvolvimento de negócios e à formação de profissionais para as novas demandas do mercado. Entre as principais novidades está a criação de um laboratório de robótica, em parceria com empresas chinesas, que permitirá capacitar estudantes e trabalhadores para a implantação, programação e manutenção de robôs humanoides em indústrias e empresas da região.

O lançamento reuniu empresários, representantes do Sebrae e do poder público e do consulado chinês no Brasil. Durante o encontro, o diretor-geral do ENIAC, Pedro Guérios, apresentou a estrutura do parque e as oportunidades de parceria com o setor produtivo.

A iniciativa surgiu após uma viagem de três semanas que o diretor fez à China, onde conheceu fábricas e empresas que já utilizam robôs humanoides em diferentes atividades. A experiência reforçou a necessidade de preparar o Brasil para as transformações provocadas pelo avanço da inteligência artificial e da automação.

“Eu fui para a China pensando em como poderíamos trazer os robôs humanoides para o Brasil e, principalmente, em como ajudar nossas empresas a se prepararem para essa nova revolução, aumentando eficiência e produtividade. Precisamos formar os profissionais que vão fazer esses equipamentos funcionarem dentro das fábricas”, afirmou.

Com mais de 14 mil alunos, 60 cursos, 200 professores mestres e doutores e mais de 20 laboratórios, o ENIAC pretende utilizar sua estrutura acadêmica e de inovação para aproximar empresas das novas tecnologias. A instituição também conta com um Centro de Inovação Tecnológica (CIT), único da região do Alto Tietê integrante do grupo de 29 centros validados pelo Governo do Estado de São Paulo.

 

Laboratório de robôs humanoides

Um dos principais projetos do Eniac Parque é o RoboLab, laboratório de robótica aplicada desenvolvido em parceria com a Ansrobex, joint venture formada pela Whale Cloud, especializada em inteligência artificial e telecomunicações, pela Nanjing Nii Group e pela AGIBOT, fabricante de robôs humanoides.

O laboratório terá como foco a capacitação de profissionais para montagem, programação, calibração, adaptação e manutenção dos equipamentos, além do desenvolvimento de aplicações específicas para diferentes setores da economia.

A proposta é atuar justamente na etapa de implantação dos robôs nas empresas, permitindo que a tecnologia seja adaptada às necessidades de cada operação sem depender exclusivamente de suporte técnico internacional.

“Não podemos ficar dependendo de uma empresa chinesa para resolver problemas técnicos ou esperando a chegada de um engenheiro de outro país para fazer a manutenção de um equipamento. Precisamos desenvolver essa competência aqui, formando nossos próprios profissionais. Nosso esforço busca fazer transferência de tecnologia chinesa para o Brasil”, explicou Pedro.

Entre os equipamentos previstos estão robôs humanoides com aproximadamente 1,75 metro de altura, capazes de executar diferentes tarefas, além de modelos compactos voltados à educação, robôs quadrúpedes para inspeção e segurança e equipamentos autônomos de limpeza.

Durante o lançamento, a Ansrobex foi representada por Xi Xin, responsável pelas operações da empresa na América Latina, que apresentou aplicações da tecnologia em indústrias, estabelecimentos comerciais e espaços de atendimento ao público.

Na China, robôs humanoides já são utilizados em atividades como movimentação de materiais, operações em linhas de produção, recepção de visitantes e inspeções industriais. Entre os exemplos apresentados estão aplicações nas fábricas da BYD e da CATL, duas das maiores empresas chinesas do setor de tecnologia e mobilidade elétrica.

Segundo Xi Xin, o RoboLab também funcionará como uma estrutura compartilhada, permitindo que empresas interessadas em testar ou implementar soluções robóticas tenham acesso aos equipamentos e ao conhecimento técnico sem a necessidade de investir individualmente na criação de laboratórios.

 

Tecnologia mais acessível às empresas

Outro objetivo da parceria é reduzir os custos de implantação e manutenção dos robôs, tornando a tecnologia mais acessível às empresas brasileiras. De acordo com Pedro Guérios, os equipamentos apresentados possuem preços que variam de aproximadamente US$ 2 mil a US$ 45 mil, dependendo do modelo e das funcionalidades. Com os custos de importação, esses valores podem praticamente dobrar no Brasil.

Embora a fabricação deva permanecer concentrada na China inicialmente, o ENIAC pretende desenvolver localmente as competências necessárias para instalação, programação, manutenção e adaptação dos equipamentos.

A possibilidade de instalação de uma fábrica no Brasil também foi abordada durante o evento. Segundo Guérios, os parceiros chineses reconhecem o potencial do mercado brasileiro, mas uma eventual operação industrial dependerá da demanda identificada entre as empresas interessadas.

 

Inteligência artificial e desenvolvimento de soluções

Além do RoboLab, o ENIAC Parque contará com o LabIA, laboratório dedicado à pesquisa e ao desenvolvimento de soluções em inteligência artificial. A estrutura terá como objetivo desenvolver aplicações práticas da tecnologia, incluindo projetos relacionados a grandes modelos de linguagem, processamento de dados e soluções voltadas às necessidades das empresas.

Os novos laboratórios se somam ao FabLab, espaço de prototipagem e fabricação digital já existente no campus, que permite a estudantes e pesquisadores desenvolver e testar soluções tecnológicas.

O ENIAC Parque também reunirá um showroom tecnológico, destinado à demonstração de equipamentos e soluções em funcionamento, além de um hub de inovação e coworking, que permitirá a instalação de empresas e o desenvolvimento de projetos em parceria com estudantes e pesquisadores.

“O que vimos na China já está funcionando e faz parte da realidade das empresas de lá. Nosso objetivo é trazer esse conhecimento para Guarulhos e ajudar a transformar essas tecnologias em realidade também nas empresas da nossa região”, concluiu.

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